segunda-feira, 24 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção

“Aproximadamente há dois séculos, existe um embate político e epistemológico entre os gestualistas e os oralistas, que tem ocupado lugar de destaque nas discussões e ações desenvolvidas em prol da educação das pessoas com surdez, responsabilizando o sucesso ou o fracasso escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas”. Conforme leituras, a abordagem oralista coloca se contra o uso da língua de sinais ou de qualquer outro código por ser mais cômodo para o surdo pois ele não terá esforço necessário para desenvolver aprendizagem de uma língua na modalidade oral porque é um trabalho  intenso difícil e complexo. O método oralista tornou-se dominante no ano de 1880  e considerada única forma educacional para pessoas com surdez . Na Alemanha foi oficialmente proibido nas escolas o uso da língua de sinais por entender que tal método representaria perigo para o desenvolvimento da linguagem oralizada, e também por acreditar que a maioria das crianças com surdez são filhos de pais ouvintes que não conhece a língua de sinais.
Por muito tempo essa abordagem não foi questionada embora a maioria dos surdos não desenvolvesse a fala conforme exigiam os ouvintes e desencadeavam atraso no desenvolvimento que culminava com a falta de estimulo e evasão escolar, as pessoas com surdez freqüentavam as escolas apenas para aprender a falar e não para receber os conteúdos escolares. Baseado nesses questionamentos estudos apontam o insucesso do oralismo dando inicio a outras propostas relacionadas a educação de pessoas com surdez com a abordagem denominada de comunicação total que permitiu a prática de diversos recursos como: língua de sinais, leitura orofacial, utilização de aparelhos de amplificação sonora, alfabeto digital em que possibilitava a pessoa com surdez  se  expressar da forma pela qual fosse mais conveniente, favorecendo a comunicação com todos: familiares, professores, surdos e ouvintes saindo assim do isolamento que a surdez os proporcionava. A intenção também era facilitar a aquisição da língua, da leitura e da escrita. Nessa proposta verificou-se alguns benefícios mas também surgiram alguns problemas em relação a comunicação fora do ambiente escolar então, estudos sobre a língua de sinais foram cada vez mais intensos apontando propostas educacionais alternativas orientando a educação na abordagem billíngue.
Segundo o texto a abordagem educacional por meio do bilinguismo visa capacitar as pessoas com surdez para utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social. Embora essa modalidade represente avanços no que diz respeito aos direitos e garantias sociais,  educacionais e participação igualitária da pessoa com surdez, dados revelam que tais direitos tem sido sistematicamente violados de uma grande maioria dessa clientela que encontra-se excluída das oportunidades educacionais ou seja, até tem  acesso  as escolas atualmente mas não tem acesso aos conteúdos curriculares e fracassam educacionalmente,  pois não  basta criar leis ou proposta de ensino se não houver fiscalização constante e eficaz alem de mudanças de paradigmas, transformações metodológicas e inovações nas políticas publicas educacionais. Faz-se necessários escolas adaptadas, profissionais qualificados que são os principais entraves encontrados no percurso educacionais das pessoas com surdez entre outros como: o número excessivo de alunos por turma, manifestando o descumprimento da resolução 436/2012, famílias desestruturadas e desinformadas desconhecendo os direitos dos filhos, professores que não planejam atividades que contemplem as necessidades educacionais dos alunos com surdez ou qualquer outra deficiência, que também são situações que evidenciam a exclusão do aluno dentro da inclusão constantemente que caracteriza a desigualdade social e educacional. Apesar de pesquisas representarem sem duvidas avanços de suma importância no processo educacional da pessoa com surdez a realidade é muito aquém dos anseios da comunidade surda que almeja uma vida mais digna e justa buscando a garantia  dos seus direitos através do respeito e da valorização e que as políticas publicas consolidem esses direitos pois é relevante lembrar que durante séculos essas pessoas foram consideradas socialmente de inválidos, incapazes ou doentes. É emergencial que mudanças ocorram nas praticas pedagógicas para que barreiras sejam eliminadas dentro e fora do ambiente escolar e assim incluí-los de fato e de direito.


Referência Bibliográfica

DAMÁZIO, M.F.M; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas Com Surdez- Atendimento Educacional Especializado Em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V. 5.2010. p.46-57. 




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