sábado, 19 de abril de 2014

Diferença entre Surdocegueira e DMU



São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que “tem mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente o funcionamento individual e o relacionamento social”(MAC/SEESP,2002) são pessoas com características específicas e peculiares com necessidades únicas que exige atenção principalmente na comunicação e no posicionamento. Elas também possui a necessidade de ter alguém que possa mediar o seu contato com o meio estabelecendo códigos e ampliando o conhecimento de mundo visando proporcionar autonomia e independência. Manifestam necessidades básicas de comunicação posicionamento e apoio do mediador. Faz-se necessário desenvolver atividades que favoreça a sua comunicação, equilíbrio postural e outros. Enquanto que o surdocegueira não é considerado uma deficiência múltipla pois é neste sentido que se diferencia da DMU. A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está em sua volta de maneira precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular. Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida que também é um diferencial. 
Ela é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes,como: Surdocego total que é a ausência total de visão e audição ou com surdez profunda associada com resíduo visual que é a  ausência da percepção da fala mesmo com aparelho de amplificação sonora individual, com resíduo visual que permite orientar-se pela luz, facilitando a mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos. - Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira: dificuldade auditiva para compreender a fala em voz normal ou baixa é necessário falar mais próximo ao ouvido e tom mais alto (fala ampliada), total ausência de visão, sem percepção de luminosidade ou vulto..--  Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais: dificuldade para compreender a fala em voz baixa e seu resíduo visual possibilita que defina e perceba volumes, cores e leitura em tinta ampliada. Classifica-se da seguinte foma:  Surdocegueira congênita: quando a criança nasce surdocega ou adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma língua (português ou Libras – Língua Brasileira de Sinais). Um exemplo mais frequente destes casos é a criança com sequelas da síndrome da rubéola congênita. Surdocegueira adquirida: quando a pessoa ficou surdocega após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada. Os exemplos mais frequente deste grupo são pessoas com Síndrome de Usher.Segundo Grupo Brasil (2002), este grupo de pessoas podem ser:
    Pessoas nascidas com audição e visão normal e que adquiriram perdas totais ou parciais de visão e audição.
     Pessoas com perda auditiva ou surdas congênitas com deficiência visual adquirida.
Para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação da comunicação das pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla divide-se em: comunicação receptiva e expressiva. A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou passar. A comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.

Referências:
Maia, Shirley Rodrigues. AEE – Atendimento Educacional Especializado. Aspectos Importantes para saber mais sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.
Coletânea UFC-MEC/2010; A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.





domingo, 13 de abril de 2014

AEE- DMU - Caso José

Caso José

1- Apresentação do problema

José Francisco Santos da Silva, filho de Amaurílio José da Silva e Francleide Santos de Oliveira nasceu em 15 de fevereiro de 2008 na cidade de Juazeiro do Norte, reside atualmente a Rua Luiz Ivan Bezerra Filho Nº 137 – Bairro Horto com mãe e um irmão mais velho. José nasceu de parto cesariana e logo foi evidenciado a hidrocefalia congênita com comprometimento na formação craniana que o levou a um procedimento cirúrgico para implante de uma válvula ficando hospitalizado por 15 dias. Devido a uma infecção hospitalar adquirida foi retirada a válvula e a criança recebeu alta hospitalar objetivando evitar outros comprometimentos embora dando continuidade ao tratamento em seu domicilio por dois meses com uso de medicamentos. Sem o uso da válvula a situação agravou-se afetando a sua motricidade caracterizando paralisia cerebral tetraplégica (tetraparesia) pois não fala, não anda e tem a visão comprometida, mas não faz uso de cadeira de rodas pois a família não tem condições financeira, luta na justiça para conseguir e aguarda da secretaria de saúde as próteses para auxiliar os membros inferiores solicitada pelo médico. De acordo com relato da mãe a criança iniciou a sua vida escolar aos três anos de idade enfrentando dificuldades de locomoção percepção e cognição numa instituição da educação infantil denominada de Poço de Jacó no Horto município de Juazeiro do Norte. Atualmente encontra-se matriculado na Escola Padre Cícero cursando o 1º ano do Ensino Fundamental I no turno vespertino. Em sala de aula comum fica a maior parte do tempo deitado em um colchonete acompanhado pela cuidadora, manifesta interesse na hora da contação de história, é perceptivo, sorridente e demonstra satisfação quando sente a presença dos colegas bem próximo dele, gosta de ouvir música e de afetividade. É acompanhado pela APAE de Juazeiro do Norte com o atendimento de fonoaudiologia e fisioterapia, faz parte do AEE e pratica natação adaptada no SESC da referida cidade.

2- Esclarecimento do Problema

Para esclarecer o caso José fez-se necessário ouvir e refletir o relato da mãe e da professora da sala de aula comum, observá-lo em todos os ambientes escolar em momentos diferenciados para perceber os obstáculos enfrentados no dia a dia e conhecer melhor as suas necessidades educativas objetivando traçar metas e selecionar recursos que favoreça o seu desenvolvimento possibilitando assim inclui-lo de fato e de direito na comunidade escolar, familiar e social.

3- Identificação da natureza do problema

Diante das intervenções realizadas evidencia que a natureza do problema é de ordem motor, cognitivo, visual e fala que interfere diretamente na sua comunicação coordenação e principalmente no seu desempenho escolar pois devido a inúmeros comprometimentos o seu desenvolvimento no processo do ensino aprendizagem foi afetado comprometendo todo o seu percurso de escolarização.

4- Resolução do problema

Baseado nas observações realizadas constata-se que o referido aluno apesar das suas limitações atualmente interage em sala de aula comum através da percepção, do olhar ou até mesmo do sorriso. O AEE em parceria com o núcleo gestor, família professora da sala de aula comum e outros profissionais envolvidos tem desenvolvido ações e práticas pedagógicas educativas que contempla a sua autonomia, motricidade, interação e comunicação através de jogos sonoro, músicas e recursos alternativos que estimule a sua audição, coordenação motora e percepção como também firmando parcerias com profissionais da saúde para que ele possa adquirir melhor qualidade de vida.