“Aproximadamente há dois séculos, existe um
embate político e epistemológico entre os gestualistas e os oralistas, que tem
ocupado lugar de destaque nas discussões e ações desenvolvidas em prol da
educação das pessoas com surdez, responsabilizando o sucesso ou o fracasso
escolar com base na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas
pedagógicas específicas”. Conforme leituras, a abordagem oralista
coloca se contra o uso da língua de sinais ou de qualquer outro código por ser
mais cômodo para o surdo pois ele não terá esforço necessário para desenvolver
aprendizagem de uma língua na modalidade oral porque é um trabalho intenso difícil e complexo. O método oralista
tornou-se dominante no ano de 1880 e
considerada única forma educacional para pessoas com surdez . Na Alemanha foi
oficialmente proibido nas escolas o uso da língua de sinais por entender que
tal método representaria perigo para o desenvolvimento da linguagem oralizada,
e também por acreditar que a maioria das crianças com surdez são filhos de pais
ouvintes que não conhece a língua de sinais.
Por
muito tempo essa abordagem não foi questionada embora a maioria dos surdos não
desenvolvesse a fala conforme exigiam os ouvintes e desencadeavam atraso no
desenvolvimento que culminava com a falta de estimulo e evasão escolar, as
pessoas com surdez freqüentavam as escolas apenas para aprender a falar e não
para receber os conteúdos escolares. Baseado nesses questionamentos estudos
apontam o insucesso do oralismo dando inicio a outras propostas relacionadas a
educação de pessoas com surdez com a abordagem denominada de comunicação total
que permitiu a prática de diversos recursos como: língua de sinais, leitura
orofacial, utilização de aparelhos de amplificação sonora, alfabeto digital em
que possibilitava a pessoa com surdez
se expressar da forma pela qual
fosse mais conveniente, favorecendo a comunicação com todos: familiares, professores,
surdos e ouvintes saindo assim do isolamento que a surdez os proporcionava. A
intenção também era facilitar a aquisição da língua, da leitura e da escrita.
Nessa proposta verificou-se alguns benefícios mas também surgiram alguns
problemas em relação a comunicação fora do ambiente escolar então, estudos
sobre a língua de sinais foram cada vez mais intensos apontando propostas
educacionais alternativas orientando a educação na abordagem billíngue.
Segundo
o texto a abordagem educacional por meio do bilinguismo visa capacitar as
pessoas com surdez para utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na
vida social. Embora essa modalidade represente avanços no que diz respeito aos
direitos e garantias sociais, educacionais
e participação igualitária da pessoa com surdez, dados revelam que tais
direitos tem sido sistematicamente violados de uma grande maioria dessa
clientela que encontra-se excluída das oportunidades educacionais ou seja, até
tem acesso as escolas atualmente mas não tem acesso aos conteúdos
curriculares e fracassam educacionalmente, pois não basta criar leis ou proposta de ensino se não
houver fiscalização constante e eficaz alem de mudanças de paradigmas,
transformações metodológicas e inovações nas políticas publicas educacionais. Faz-se
necessários escolas adaptadas, profissionais qualificados que são os principais
entraves encontrados no percurso educacionais das pessoas com surdez entre
outros como: o número excessivo de alunos por turma, manifestando o descumprimento
da resolução 436/2012, famílias desestruturadas e desinformadas desconhecendo
os direitos dos filhos, professores que não planejam atividades que contemplem
as necessidades educacionais dos alunos com surdez ou qualquer outra deficiência,
que também são situações que evidenciam a exclusão do aluno dentro da inclusão
constantemente que caracteriza a desigualdade social e educacional. Apesar de
pesquisas representarem sem duvidas avanços de suma importância no processo
educacional da pessoa com surdez a realidade é muito aquém dos anseios da
comunidade surda que almeja uma vida mais digna e justa buscando a garantia dos seus direitos através do respeito e da
valorização e que as políticas publicas consolidem esses direitos pois é
relevante lembrar que durante séculos essas pessoas foram consideradas socialmente
de inválidos, incapazes ou doentes. É emergencial que mudanças ocorram nas
praticas pedagógicas para que barreiras sejam eliminadas dentro e fora do
ambiente escolar e assim incluí-los de fato e de direito.
Referência Bibliográfica
DAMÁZIO, M.F.M; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas Com
Surdez- Atendimento Educacional Especializado Em Construção. Revista Inclusão:
Brasília: MEC, V. 5.2010. p.46-57.

